Adulto: Aplicam-se Termos e Condições

Rapazes,

Quando tinha a vossa idade, olhava para os adultos como se fossem seres superiores — calmos, confiantes, cheios de respostas.
Pareciam mover-se pela vida como se soubessem exatamente o que estavam a fazer.
Eu achava que tinham tudo resolvido — o trabalho, o amor, a felicidade, o propósito — tudo arrumadinho numa gaveta qualquer.

Agora, nos meus quarenta e tal, posso dizer-vos uma coisa: os adultos nem sempre são adultos.

A idade não traz sabedoria garantida, e a responsabilidade não vem automaticamente com compreensão.

A maior parte de nós continua a tentar perceber as coisas, a fingir que sabe e a aprender à medida que vai tropeçando.

“Os adultos nem sempre são adultos.”

Aprendi que ser adulto não é uma questão de idade — é curiosidade, estabilidade emocional, inteligência emocional e coragem para continuar a aprender.

É cair, pensar, e levantar-se com um pouco mais de elegância cada vez.
É perceber que ninguém “chega” verdadeiramente a lado nenhum.

Mas há algo importante: não se mantenham curiosos só por curiosidade.
Questionem tudo — até vocês próprios, até os vossos pais — não para provar que alguém está errado, mas para compreender melhor.
A curiosidade sem reflexão é barulho; a curiosidade com propósito é sabedoria.

E quando perceberem que estão errados, digam-no.
Reconhecer o erro não nos torna mais fracos — torna-nos reais.
É isso que nos permite crescer, evoluir e ver mais longe.

Na nossa família, podemos ser teimosos — eu sei bem disso.
Mas aprender a distinguir teimosia de paixão é parte do crescimento.
A teimosia fecha portas; a paixão abre-as.

“Não se casem com as vossas ideias — cresçam com elas.”

E lembrem-se: não se casem com as vossas ideias.
Elas vão mudar. Vocês também.

Isso não significa desistir — significa adaptar-se, crescer com as ideias, não contra elas.
O segredo está em manter-se flexível sem perder a vontade.

Demorei quarenta anos a perceber que o verdadeiro propósito disto tudo não está no resultado — está no caminho.
O truque é manter a atenção, reparar nos pormenores e encontrar algo que vos mova.
Algo que vos faça querer levantar cedo ou ficar acordados até tarde — não por obrigação, mas por entusiasmo.
Quando o encontrarem, agarrem-se a isso. Acreditem. Confiem no vosso instinto e comprometam-se.

Passei grande parte dos meus primeiros quarenta anos distraído, a confundir barulho com direção.

Agora percebo que a felicidade se esconde na atenção — em entregar-nos por inteiro ao que realmente importa.

Por isso, se há uma coisa que quero que se lembrem, é isto:
Não percam tempo a tentar parecer que já perceberam tudo.
Continuem a aprender, mantenham a humildade, questionem com coragem e saibam admitir quando estão errados.
O resto acontece como tem de acontecer.

Pai

Previous
Previous

Adulthood: Terms and Conditions Apply

Next
Next

O Meu Amor Platónico com a Burocracia Portuguesa